sexta-feira, 17 de junho de 2011

Comissão de educação e IDEB na Escola

O projeto de lei PL 1536/2011 pretende obrigar as escolas a afixar em local visível a sua nota na avaliação do Ideb, comparando-a com a média da cidade e do estado. Para maiores detalhes, clique aqui.

O projeto ainda deve passar pelas comissões de educação e cultura e depois pela de constituição, justiça e cidadania. Pensei em mandar um email para os deputados destas comissões chamando atenção para o projeto, porém o site da Câmara dos Deputados não disponibiliza um único endereço para enviar a todos os deputados de uma comissão. Para facilitar o trabalho de quem estiver interessado no projeto, seguem os emails dos deputados da comissão de educação e cultura. Basta copiar os endereços, colar no seu programa de envio de email e você pode mandar um único email para todos os deputados.
  • Comissão de Educação e Cultura:
dep.arturbruno@camara.gov.br,
dep.biffi@camara.gov.br,
dep.fatimabezerra@camara.gov.br,
dep.nazarenofonteles@camara.gov.br,
dep.paulopimenta@camara.gov.br,
dep.pedrouczai@camara.gov.br,
dep.reginaldolopes@camara.gov.br,
dep.saguasmoraes@camara.gov.br,
dep.waldenorpereira@camara.gov.br,
dep.gabrielchalita@camara.gov.br,
dep.gastaovieira@camara.gov.br,
dep.joaquimbeltrao@camara.gov.br,
dep.lelocoimbra@camara.gov.br,
dep.professorsetimo@camara.gov.br,
dep.raulhenry@camara.gov.br,
dep.maragabrilli@camara.gov.br,
dep.pintoitamaraty@camara.gov.br,
dep.rogeriomarinho@camara.gov.br,
dep.waldirmaranhao@camara.gov.br,
dep.luizcarlossetim@camara.gov.br,
dep.nicelobao@camara.gov.br,
dep.professoradorinhaseabrarezende@camara.gov.br,
dep.izalci@camara.gov.br,
dep.paulofreire@camara.gov.br,
dep.tiririca@camara.gov.br,
dep.dr.ubiali@camara.gov.br,
dep.luiznoe@camara.gov.br,
dep.paulorubemsantiago@camara.gov.br,
dep.antonioroberto@camara.gov.br,
dep.stepannercessian@camara.gov.br,
dep.alexcanziani@camara.gov.br,
dep.aliceportugal@camara.gov.br,

É uma lei simples, com baixo custo de implementação e que pode ajudar muito no desafio de melhorar a qualidade de nossa educação pública!

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Divagações de um eleitor brasileiro.

Por que somos obrigados a votar? Qual a justificativa para uma lei tão estranha quanto a nossa, em que um direito é interpretado como um dever? Começo o texto com essas perguntas pois delas vão se abrir todas as outras.

Pretendo prestar um concurso público em breve. Dentre os documentos pedidos está o comprovante de quitação com a justiça eleitoral, necessário por que o voto por essas bandas é obrigatório. Muito bem, a Justiça Eleitoral tem um endereço eletrônico que permite imprimir tal documento a partir do número do título de eleitor, mas no meu caso apareceu uma mensagem dizendo que eu deveria ir até um cartório eleitoral. Inferi que havia algum problema com meu cadastro e fui até lá na quarta-feira passada (31/03/2010). Mas a Justiça Eleitoral estava em recesso devido às festividades da Páscoa. Como assim? A Páscoa é no domingo, dia em que eles já não trabalhariam normalmente. O único feriado para a maioria dos mortais brasileiros é a Sexta-feira da Paixão. Alguns colégios confessionais suspendem as atividades já na quinta-feira, por se tratar do dia da Santa Ceia e do Lava-Pés, celebrações importantes para os católicos. Mas o estado laico não deveria se pautar pelas nossas celebrações, não é mesmo? Vá lá, com boa vontade eu concedo que os funcionários da Justiça Eleitoral folguem na quinta-feira, muitos podem ser católicos ou ter filhos em escolas católicas. Mas e a quarta-feira? Por que não trabalhar na quarta-feira? Alguém com conhecimentos mais avançados em Teologia Cristã pode me dar alguma explicação para isso?

Hoje de manhã (05/04/2010) voltei a procurar a Justiça Eleitoral. Fui bem atendido por uma moça que esclareceu o problema. Deixei de votar no primeiro turno da eleição de 2002. É verdade, lembrei, estava em viagem para o exterior (Canadá) em uma cidade onde não havia consulado brasileiro e deveria ter regularizado minha situação na volta. Sem problemas, explicou a funcionária, basta pagar uma pequena multa de R$ 3,51 e estará tudo resolvido.

Aqui abre-se uma chave em nossa pequena história. Fosse este um país desenvolvido, eu não precisaria receber esta informação pessoalmente, concordam? Por que o programa da TSE já não indicou qual era a minha pendência? De preferência, poderia haver um link do tipo "Pague aqui a sua multa" e eu faria tudo pela internet, finalizando com a impressão do esperado documento.

Mas o Brasil não é desenvolvido, lembrei-me. Não ainda, segundo a nomenclatura corrente que o classifica como "em desenvolvimento". Prefiro a descrição mais precisa do nosso hino nacional: "deitado eternamente em berço esplêndido"! Mas volto a nossa condição. Fôssemos o país grande mas ainda não completamente maduro que alardeiam os analistas, bastaria tirar do bolso um punhado de moedas e pagar ali mesmo a minha multa, certo?

Claro que não! Eu teria que pagar um título, chamado "Guia de Recolhimento da União", exclusivamente no Banco do Brasil. E a partir deste fato, divago novamente, por que raios um funcionário público não pode receber meu dinheiro? É para evitar desvios, explica-me uma alma caridosa! Fico pensando se já não ocorreu ao Abílio Diniz reduzir os desvios de dinheiro nos caixas de seus supermercados e aumentar seus lucros. Imagine que maravilha, você escolhe seus produtos e passa no caixa. A atendente então saca um boleto bancário e manda você pagar a sua conta em outro lugar, fora do supermercado, e voltar com o recibo para só então liberar a compra. Não seria fantástico?

No caminho do banco encontro um correspondente bancário, justamente do Banco do Brasil. Que sorte, pensei, não vou precisar enfrentar a quilométrica fila do banco, posso pagar por aqui mesmo. Fiquei na fila e a caixa de longe viu a folha na minha mão e já foi avisando que não poderia me ajudar.

Chego finalmente ao Banco do Brasil. Já repararam que hoje em dia você entra na agência e não vê os caixas? Eles estão sempre escondidos atrás de uma parede ou no segundo andar. É uma tática aprendida com os parques de diversão, cujas filas são muito bem disfarçadas ou mesmo escondidas em um zigue-zague sem fim. No caso desta agência em particular, os caixas ficavam no segundo andar e para chegar até lá era preciso pegar uma senha já no térreo. Lá em cima havia um monte de gente com suas senhas na mão, tão lotado que não havia cadeiras para todos. Percebi que algumas senhas começavam com "P", de prioritário, para pessoas idosas, mulheres gestantes etc., outras com "C" para clientes do banco e ainda "R", que era o caso da minha. Logo imaginei que "R" era para os recolhimentos exclusivos, feitos por essa gente chata que lota o banco mas não compra nenhum serviço do banco, ou seja, só dá despesa. Pela descrição anterior, já podem imaginar que a minha senha era a de prioridade mais baixa, não é mesmo? Não pude deixar de pensar, com toda elegância e polidez que me são peculiares, por que nenhum governo teve ainda a coragem de vender esta merda de banco!

O saldo final da minha aventura vespertina foi que peguei meu documento de quitação eleitoral e vou poder prestar o concurso. Mas paguei R$ 11,00 de estacionamento e R$ 3,51 de multa, o que por si mostra que um dos dois valores é desproporcionado. E fiquei me perguntando, por que eu sou obrigado a votar? Por quê?

quarta-feira, 10 de março de 2010

Vergonha!

Hoje é um dia em que senti vergonha de ser brasileiro. Como diria Antônio Maria, "rasgaram minha carta de cidadania". Nosso presidente resolveu comparar os dissidentes cubanos em greve de fome com os bandidos presos no estado de São Paulo. Disse o democrata:
Eu acho que greve de fome não pode ser utilizada como um pretexto dos [da luta por] Direitos Humanos para libertar pessoas. Imagine se todos os bandidos que estão presos em São Paulo entrarem em greve de fome e pedirem liberdade.
Lula disse que os dissidentes de uma ditadura se equivalem aos bandidos presos aqui no meu estado. E sabe por que? Porque a lei dos cubanos assim determina:
Temos de respeitar a determinação da Justiça e do governo cubanos de prender as pessoas em função da legislação de Cuba, como quero que respeitem a do Brasil.
Gente presa por delito de opinião, em processos obscuros, sem provas, sem direito a defesa...São simplesmente bandidos, agiram contra as leis de seu país, fim de papo! Fidel não definiria melhor.

Depois comecei a pensar que nem Lula seria capaz de falar uma monstruosidade dessa, ele que foi preso de uma ditadura. Aliás, cabe perguntar se ele deve abdicar de sua pensão, bandido que fora, pois desobedeceu à lei da ditadura militar... Mas volto ao ponto, Lula deve ter pensado em outra coisa antes de fazer sua comparação infeliz. E pensou mesmo.

Como ele estava falando de greve de fome por direitos humanos, deve ter pensado que os cubanos fazem seu protesto devido às condições precárias das prisões. E por que ele escolheu logo São Paulo para fazer sua comparação desumana? Certamente por que São Paulo é governada há 20 anos pelo PSDB. Lamento informar, presidente, que as cadeias paulistas são muito ruins, mas não chegam aos pés das capixabas, que são assunto até na ONU. E ainda que as cadeias de Cuba fossem como as da Suíça, estou certo que os dissidentes fariam greve de fome do mesmo jeito, afinal sua liberdade lhes foi tirada por um estado totalitário.

Assim, Lula passa duas mensagens. A primeira é que concorda com a prisão dos dissidentes, pois alguma lei cubana eles devem ter desobedecido. A segunda, as condições das prisões são tão ruins quanto as paulistas, o que não é nada elogioso com o companheiro Fidel, mas nem isso incomoda o nosso presidente.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Por que sou um privatista.

A notícia já é velha, mas como seguir a velocidade da internet? Parece que a Fundação José Sarney vai fechar. Não é porque chegou a termo a investigação policial sobre suas irregularidades, com a condenação dos envolvidos e devolução do dinheiro. Aliás, o papel da justiça (com minúscula mesmo, fazer o quê?) foi abjeto, pois o jornal que vinha dando publicidade ao caso segue censurado há mais de noventa dias. Não foi o estado (com minúscula, como os ingleses) que acabou com a fundação, mas seus patrocinadores, que saíram correndo de lá e fizeram secar a fonte. A iniciativa privada dá mostras, a quem souber vê-las, de como pode ser mais eficiente.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Reflexões de um jovem pai de família

Como sabem meus seis leitores, fiz aniversário recentemente. E resolvi avaliar o progresso de minha vida fazendo uma comparação com o que meu pai estava fazendo quando tinha a minha idade. Não demorou e acabei me comparando também aos da minha geração.

O que me chamou a atenção primeiro meu pai não tinha filhos nem era casado no seu aniversário de 32 anos. Há uma boa explicação para isso, afinal ele não era formado e não estava plenamente estabelecido como profissional. Mesmo assim, não deixei de imaginar o quanto ele estava perdendo. Digo isso pois estou casado há seis anos e já tenho um filho de três. Naturalmente, neste período eu tive bom emprego na maior parte do tempo, exceto nos dois últimos anos, quando troquei a segurança de uma multinacional pela vida de bolsista. Entender as razões por trás desta troca maluca já seria assunto para um outro post, ou um livro.

Meu ponto é que, um tanto na contramão dos dias atuais, recomendo baseado em minha própria experiência o mesmo que Nélson Rodrigues, quando instigado a dar um conselho aos jovens, sentenciou: "Cresçam!". Hoje vivemos a super valorização da juventude e da imaturidade. Parece feio assumir valores conservadores e mais ainda admitir que já se é um adulto. Fala-se da tal geração "canguru", de homens que vivem na casa dos pais até os 40 anos e que não querem se casar para não largar a boa vida. O seu tempo livre é preenchido com horas de academia, pois é preciso que o corpo reflita a mesma idade que se quer impor ao espírito. Eles querem ser boêmios, sem laços afetivos fortes com ninguém, não admitem sequer o desejo de ter uma namorada firme. Falam aos outros homens como fazem os meninos naquelas rodas em que contavamos nossas peripécias, um amontoado de mentiras com a intenção de impressionar a turma.

Lamento por eles, mas comigo não cola! Poucas coisas na vida podem ser melhores que estar plenamente emancipado, dono do próprio nariz e seguro de ter conquistado as coisas que realmente valem a pena. Nada pode ser mais agradável que um almoço de domingo com a família, com os filhos, sem aquela ansiedade de ficar se perguntando se terá a chance de repetir o programa. Sei que deixei há muito de sentir um certo frio na barriga, que tem lá a sua graça, mas bom mesmo é saber que aquela companhia maravilhosa já se comprometeu, diante de Deus e de nossos melhores amigos, a se esforçar continuamente para ficar ao seu lado pelo resto da vida.

E os filhos? Eles bloqueiam uma série de programas que os "cangurus" adoram. E daí? O que estou realmente perdendo? A oportunidade de ficar em pé, respirando a fumaça do cigarro alheio, com uma música alta que impede qualquer conversa minimamente civilizada...Ora, por favor! Se não conhecesse as delicias da paternidade, já não teria muitos problemas em largar essa vida! E aqui vai uma pequena disgressão: mesmo entre os que já abandonaram a postura "canguru", há quem relute em ter filhos e os substitui por cachorros. Francamente! O dia em que um cão perguntar a você sobre o mundo que o cerca, imitar tudo o que você faz, mesmo os menores trejeitos, ficar cada dia mais parecido com você, até mesmo fisicamente, olhar nos teus olhos e dizer "Eu te amo, papai!", pode até ser...Até lá, a comparação é absurda e ponto final!

Moro longe da casa dos meus pais desde os quinze anos! Não recomendo que se cresça tão rápido assim, pois sei o quanto esse amadurecimento precoce me roubou em diversão. Mas não posso compactuar com adultos de 30 anos que se comportam com se fossem moleques. Gente, é muito bom ser adulto!

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Porque sou um péssimo blogueiro (ao menos por enquanto)

Sei que pode parecer pedante, mas nada que alguém escreva a sério para menos de dez pessoas pode não parecer pedante, concordam?

Provocado por um grande amigo que descobriu o blog por acaso, percebo agora que não escrevo por aqui há muito, muito tempo. Se fosse um virtuose das letras, já seria tempo suficiente para espantar todo mundo. Tratando mal a meus leitores desse jeito, não sei se tenho muito futuro.

Eis que me socorre Rainer Maria Rilke em seu Cartas a um jovem poeta:
Deixe a seus pensamentos sua própria e silenciosa evolução sem a perturbar; como qualquer progresso, ela deve vir do âmago do seu ser e não pode ser reprimida ou acelerada por coisa alguma. (...) Aí o tempo não serve de medida: um ano nada vale, dez anos não são nada. Ser artista não significa calcular e contar, mas sim amadurecer como a árvore que não apressa sua seiva e enfrenta tranqüila as tempestades da primavera sem medo de que depois dela não venha nenhum verão. O verão há de vir. Mas virá só para os pacientes, que aguardam num grande silêncio intrépido, como se diante deles estivesse a eternidade.
E quem vai poder dizer que meu silêncio não é prudência de quem espera o tempo necessário para florescer em si um texto mais puro, mais verdadeiro? Mário de Andrade, por exemplo, apoiaria os blogs se vivesse nos dias de hoje, ao menos eles impedem que seja gasto papel com tanta coisa ainda por amadurecer:
Devia ser proibido por lei indivíduo menor de idade, quero dizer, sem pelo menos 25 anos, publicar livro de versos. A poesia é um grande mal humano. Ela só tem o direto de existir como fatalidade que é, mas esta fatalidade apenas se prova a si mesma depois de passadas as inconveniências da aurora (...) Escrevam se quiserem, mas não se envolumem.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Forgado

O título deste post tem mais graça se lido com o 'r' bem caipira aqui do interior de São Paulo. Para mim fo'r'gado é superlativo. Significa folgadíssimo!
Um colega aqui do laboratório sondou se eu tinha interesse em ajudar um aluno de outra universidade com sua lista de exercícios. Ele já tinha declinado. A disciplina é a que mais gosto e que pretendo ensinar no futuro. Pagando bem, que mal tem?

Não sei se já contei aqui. Um dos indicativos para a minha vocação para ser professor era a minha adoração por explicar os conceitos de matemática para meus colegas que não haviam entendido, mesmo contra a vontade deles!

Adiante. Recebo um email muito educado da pessoa que liga meu colega de laboratório ao aluno perguntando se eu aceito que meu email seja repassado. Respondo que sim, mas estou preocupado com o final do semestre, será que vai dar tempo? Chega o email do aluno, na língua dele, se é que vocês me entendem:

Olá Alim Pedro, boa tarde!

Através da indicação da professora XPTO, obtive o seu contado.

Estou precisando que se feita tres listas de exercicios totalizando 15 exercicios para ser entregue até segunda-feira proxima , dia 16/06.
Posso pagar R$ 200,00 pelas 3 listas/15 exercicios.
Por favor deixe-me saber se voce está de acordo e se conseguiria cumprimo o prazo informado acima.

Em anexo estão os exercicos que devem ser feitos das 3 listas (15 exe no total)

Obg,

Fo'r'gado

Aqui vale um parêntese. As listas de exercícios a que ele se refere tinham nome bem sugestivo: "Trabalho - Prova #1", "Trabalho - Prova #2", "Trabalho - Prova #3". O Fo'r'gado não pensou que existem pessoas no mundo que não gostariam de fazer provas por outras, ainda que mediante pagamento. Nesse ponto ele parece tão ou mais ingênuo do que eu.
Respondo:

Fo'r'gado,


Sinto que houve um mal entendido em nossa comunicação.
Sou professor de Controle e imaginei que você precisasse de alguém para lhe ensinar.
Não estou de acordo em fazer o trabalho por você, pouco importando o pagamento.

Confira a citação na minha assinatura de email. Ela está ali em todos os emails que eu envio, mas parece se encaixar perfeitamente à nossa pequena conversa.

Att,
Alim Pedro.
--
Alim Gonçalves, PhD Candidate.
Nothing that has meaning is easy. "Easy" doesn't enter into grown-up life. (Michael Cane - as Robert Spritzel - in "The Weather Man" (2005))

O Fo'r'gado vai sentir vergonha do que fez? Essa era minha intenção com o meu email, mas não sei se consigo isso. Não depende só de mim, não é mesmo?

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Inventário Literário

Ser um leitor de orelhas não implica necessariamente não gostar de ler do modo convencional. É que eu nunca teria a cultura que aparento se me limitasse ao jeito certo de ler os livros!
Esse ano, por exemplo, ainda estamos em fevereiro e já li:
Os Números - Georges Ifrah: A fascinante história de como a humanidade em suas diversas culturas aprendeu a contar e a representar os números. O livro mostra que princípios básicos para a sociedade de hoje faltavam na Europa de Montaigne (que confessa por escrito não saber fazer contas). Outra curiosidade: ninguém consegue enumerar mais de 4 objetos diferentes sem contá-los. Tente você mesmo....
Auto-engano - Eduardo Gianetti da Fonseca: Este livro é bem denso, mas recheado de saborosas histórias para explicar por que e como conseguimos nos enganar, processo bem mais complexo e cheio de facetas do que aparentemente julgaríamos.
Auto-estima do seu filho - Dorothy Briggs: Este é O livro para quem vai ser pai ou mãe. Recomendo fortemente, mas devo alertar sobre uma coisa que descobri por acaso: a edição americana tem 7 capítulos a mais que a brasileira. Como pode uma editora ter tamanha cara-de-pau! Como eles podem decidir o que nós devemos ou não ler?
Elite da Tropa - vários autores: Depois de toda a (ótima) polêmica a respeito do filme do ano de 2007, resolvi ler o livro. Confesso que o filme me causou mais impacto que o livro, mas o fato é que a nossa polícia é muito ruim. E isso não tem a ver com salário, prestígio ou vontade política. É uma engrenagem em que os corruptos são alimentados e os virtuosos não tem muita chance. Como bem disse o Capitão Nascimento: "Na PM, ou o cara se corrompe, ou se omite, ou vai para guerra". Infelizmente, nenhuma das opções é boa para a sociedade.
Código da Vida - Saulo Ramos: o advogado, ex-Ministro da Justiça, ex-Consultor Geral da República conta suas histórias que começam nos tempos do Jânio. Se você gosta de política como eu esse livro é quase obrigatório. Se você não gosta do FHC, vai ter boa munição depois de lê-lo (atenção lulistas, não se iludam pois é bem possível não gostar tanto de Lula quanto de FHC). De minha parte, fica claro que o PT é muito pior!
Médico doente - Dráuzio Varella: Fantástico relato do famoso médico sobre o período em que teve febre amarela e quase morreu. Como em "Carandiru" e "Por um fio" o autor mostra seu olho sensível para as relações humanas e faz uma interessante inversão de papéis tornando-se agora paciente.

E vocês, HQNV, Rabugento e demais leitores, o que têm lido? Façam um intercâmbio e me ajudem a parecer cada vez mais culto!

Uma fração de segundo

Passei a tarde de domingo brincando com o Inácio. Nós nos divertimos muito o tempo todo, mas um instante deve ficar marcado em mim para sempre. Nosso olhar se cruzou e naquela fração de segundo nós fomos tomados por um sentimento infinito. Lembrei-me do velho Simeão com o Salvador nos braços, já posso morrer. E da recomendação de Cristo para permanecermos vigilantes, pois não sabemos nem o dia nem a hora em que o Senhor virá. De minha parte, sei que esteve conosco e eu bem poderia estar assistindo a um jogo qualquer do Corinthians!
Vigiai, amigos, vigiai!

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Primeiro dia de aula

Hoje foi o primeiro dia de aula do Inácio em 2008. Se perguntamos como foi a aula ele tosse, mas de mentirinha. Depois aperta os olhinhos, como se chorasse. Tossiu e chorou... Pelo jeito a aula não foi muito produtiva!

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Nome

Espero que meus seis leitores me perdoem a longa ausência. Passei por intensas mudanças nesse período e isso me afastou um pouco aqui do blog. Quando faltarem textos aqui, ou estou deprimido ou muito ocupado (ou os dois, o que é comum e terrível).

Não comecei esse post para falar de mim, mas do meu pequeno de um ano e meio. Ele está começando a falar e está divertidíssimo. O repertório de palavras é curto, ele entende muito mais do que consegue falar: "mamã", "papai" (fala com perfeição!), "cocó" (DVD's ou alguma história do Cocoricó, - se não sabe o que é isso, quando for pai ou mãe, vai saber), "cocô", "xi","vovó", "não", "bô" (acabou), "pá" (estourou, caiu no chão fazendo barulho)...

Semana passada ele aprendeu uma palavra e não pára de falar: "Inácio". Também é uma das poucas que ele fala direitinho, deve ser por ouvir mais vezes ("não" é outro exemplo). Acho que ele gostou do nome que escolhemos, pois está repetindo com muito prazer. Em toda brincadeira ele encontra alguma desculpa para dizer que o brinquedo é dele, ou está na vez dele brincar, e tome "Inácio" para todo lado. Fico todo babão, melhor terminar por aqui ou vai queimar o teclado!

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Avesso do avesso

Vocês se lembram do meu comentário a respeito das minhas turmas na faculdade. A turma de terça-feira era agressiva, difícil, reclamava o tempo todo com o coordenador e mesmo comigo. Já na sexta existia interesse e camaradagem, já haviam me elogiado para o coordenador, marquei uma aula de reposição num sábado e muita gente foi.

Apliquei prova nas duas turmas. A de sexta foi muito, mas muito mal. Um monte de gente entregou as provas em branco, gente que eu esperava que fosse bem teve um desempenho lamentável e deu para sentir que eles estão loucos para colocar a culpa em mim, afinal, errar é humano e culpar o outro pelo erro é mais humano ainda! Confesso que nesse caso, nem sei se tiro a razão deles. A prova foi feita para ser de nível médio, mas eu devo ter errado em alguma suposição inicial. Estou só começando nessa carreira, meu feeling não é suficientemente preciso. Ainda não corrigi as provas, comento baseado no que vi ao passar os olhos pelas folhas enquanto eles entregavam, mas a coisa foi dramática. Será que meu relacionamento com eles vai mudar? Será que vou ter que fazer alguma coisa, como aplicar nova prova, desconsiderar questões, passar um trabalho? Aguardem cenas dos próximos capítulos.

Já a turma de terça estudou muito para a minha prova. Sei disso pois eles fizeram de tudo para que ela fosse a última da semana de provas e por que alguns alunos ligaram no meu celular para tirar dúvidas um dia antes. Adorei isso. Gostei mais ainda quando os vi atacando as três questões da prova, nada ali era completamente desconhecido para eles, como aconteceu com os alunos de sexta. Eles fizeram muitas perguntas ao longo da prova e eu acabei ajudando bastante, pois via que as perguntas eram na direção certa, mostravam algum conhecimento prévio. Ora, estou lá para que eles aprendam, acho muito careta desperdiçar qualquer chance de ensinar, mesmo que seja durante uma prova. Qual é a prioridade afinal? Garantir lisura no processo da prova ou aprendizagem efetiva? Os dois são objetivos de um professor, mas o último tem maior peso. Já na turma de sexta, nem deu para ajudar, eles não sabiam o que perguntar, não tinham nenhuma idéia do que estava ali na frente deles.

Estou muito feliz com a minha turma de terça. Quero dizer isso para eles já na próxima aula, independente das notas. Eles podem até ter ido mal, derrapado aqui e ali nas questões da prova, mas mostraram maturidade ao estudar muito. Para ter uma idéia do que é a tal maturidade de que estou falando, até ameaça de boicote a minha prova sofreu, segundo o coordenador. Acho que pela ajuda que eles tiveram na prova, pelo sentimento de que eram capazes de resolver as questões e pelo discurso que prentendo fazer na próxima aula, vou acabar o semestre como um professor talvez querido, pelo menos respeitado.

E o pessoal de sexta? Para começar, nem sei que discurso adotar. Não sei se chego na sala pagando geral, dizendo a eles que não adianta só ter boas aulas (como as minhas, hehe) e não estudar nada. Que a continuar assim estão todos fritos e que eu estou muito decepcionado, afinal eles eram a minha melhor turma! Outra alternativa é bancar o good cop e dizer que eu sinto muito pelo resultado, que eu não esperava que a minha prova fosse tão difícil nem que eles estivessem tão despreparados, mas que juntos nós vamos dar a volta por cima, afinal eles são uma turma muito querida e tal. Tudo isso vou discutir com o meu coordenador depois de ter corrigido todas as provas, o que espero fazer esta noite.

Incrível como uma prova pode mudar completamente o cenário da relação professor-aluno. Deve ser a relação mais delicada entre todas as relações humanas. Pelo menos das que vivi até hoje: namorado-namorada, filho-mãe, filho-pai, marido-mulher, amigo-amigo(a), empregado-chefe, mestrando-orientador...

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Soja

Quando ainda repetia slogans de esquerda em qualquer discussão, gostava de falar do absurdo que era o latifúndio, produzindo soja para alimentar o gado americano no inverno. Dizia que o negócio é a agricultura familiar, que produz os alimentos de verdade, já que eu não como soja!

Se não fosse a soja e a indústria de alimentos (multinacional), meu filho não teria leite, iogurte, vitaminas. Tudo com leite de soja e à venda nas melhores lojas do ramo.

E gado não alimenta gente? Americano não é gente? Será que a carne que eu como veio de um lote de reforma agrária ou de uma grande fazenda? Aposto todas as fichas na última.

Mamíferos

Parece que somos a única espécie de mamífero que segue bebendo leite, dos outros, para o resto da vida. Já ouvi o relato, de segunda mão, de pediatras que dizem às mães que "leite de vaca é para bezerro". Pouca coisa pode ser tão estúpida!

Meu filho desenvolveu intolerância à lactose. Estamos contornando com o leite de soja, mas não é o bastante. Tente tirar completamente o leite da sua dieta e você vai ter alguma idéia do que estamos passando! Quase toda receita um pouco mais elaborada tem leite. Neston batido com suco de frutas tem leite (olha o rótulo, tá escrito lá: contém traços de leite). Uma papinha de estrogonofe de frango tem leite. Bolacha, chocolate, bolo: leite, leite, leite.

Se um dia o pediatra do seu filho vier com essa conversa mole, saiba que é só para você achar que está tudo bem com seu filho, errados são os outros que insistem com esse hábito anti-natural. Ele tenta fazer você aceitar o trabalhão que vai ter e ainda se sentir orgulhoso pelas escolhas certas. Pode ser com a melhor das intenções, mas é bem desonesto. Será que o dr. não toma leite nenhum? Ou ainda é um bezerro?

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Tio Rei

Aliás, o blog do Reinaldo Azevedo desta semana está fantástico. Aqui ele faz uma piada rápida e mortal. Já neste outro me fez sentir inveja de um tempo em que se estudava Os Lusíadas com atenção e rigor. Parece que meus ideais estão cada vez mais conflitantes com meu tempo. Você também tem a sensação de estar na década errada?

Serendipity

Faz tempo que estou tentando me lembrar de uma canção para ninar meu filho. No quarto dele tem uma imagem bonita de São Francisco rodeado de pássaros e com sua túnica marrom. A música é do disco "Arca de Noé" e também embalou os meus sonos. Mas só me lembrava da primeira estrofe.

Estou há semanas pensando em entrar no Google para procurar a letra, mas na correria dos dias acabo me esquecendo. Hoje topei com ela em um post do Reinaldo Azevedo.

Quase chorei! É o que os americanos (será que também os ingleses?) chamam de serendipity. É difícil traduzir...Tenho que investir o mais rápido possível em bons dicionários: inglês, português e inglês-português. Vai uma boa grana aí! Em tradução bem livre, totalmente no espírito deste leitor de orelhas, o termo indica uma coincidência, não uma mera coincidência, mas aquelas em que o fato ocorrido ao acaso e o momento em que ocorre são uma combinação perfeita, para o bem. Ao menos é assim que eu sempre entendi, parece que lá na Wikipedia não é bem assim. Fico com a minha versão, bem mais poética. Agora me ocorre o quanto é estranho adjetivar qualquer coincidência como "mera"... Como o evento é extraordinário, parece um paradoxo, né?

Segue a poesia, lindíssima, do Vinícius de Moraes. Se bem me lembro, era cantada pelo Ney Matogrosso acompanhado de um grupo de crianças.

São Francisco

Lá vai São Francisco
Pelo caminho
De pé descalço
Tão pobrezinho
Dormindo à noite
Junto ao moinho
Bebendo a água
Do ribeirinho.

Lá vai São Francisco
De pé no chão
Levando nada
No seu surrão
Dizendo ao vento
Bom-dia, amigo
Dizendo ao fogo
Saúde, irmão.

Lá vai São Francisco
Pelo caminho
Levando ao colo
Jesuscristinho
Fazendo festa
No menininho
Contando histórias
Pros passarinhos.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

T.G.I. Friday

É engraçado como a minha experiência de professor tem sido uma montanha russa emocional.

Quando dou aula para a turma de terça, fico desiludido como atestam os dois posts abaixo. Aí chega a sexta-feira e a coisa muda completamente. É uma turma interessada, simpática, já até me elogiaram para o coordenador. Não são alunos mais fortes que os de terça e isso fica claro pelo meu plano de aula, que está atrasado. Parece que a principal diferença em relação a outra turma é de motivação, ânimo.

Logo que o coordenador me passou a turma de terça ele disse para eu tomar muito cuidado com o que eu dissesse, pois tudo SERIA usado contra mim. Não estava dizendo que algo PODERIA ser usado contra mim, mas que eles iriam reclamar de qualquer jeito. Eles já fizeram protesto para tirar professores e são muito brigões. Acho que isso se reflete na aprendizagem, pois eles tem uma ansiedade muito grande. Estou ensinando coisas básicas, um pouco abstratas no início mas que vão fazer sentido prático lá na frente. Eles ficam falando que não entendem nada, que não sabem onde aplicar aqueles conceitos...Ora, em certos momentos é preciso saber esperar um pouco, nem tudo faz sentido imediatamente. Primeiro temos que aprender os conceitos básicos para só então aplicá-los.

Não é o que acontece sexta-feira. Nesta classe os alunos não tem nenhuma reserva, não ficam me avaliando 100% do tempo, nem esperam entender tudo instantaneamente. Eles parecem entender melhor que o processo de aprendizagem depende muito do professor, mas ele só participa do início. Os próximos passos incluem o aluno, que vai fazer exercícios, rever a matéria e tirar dúvidas. Tudo a seu tempo.

Eu não culpo só os alunos da terça-feira. Talvez seus professores tenham sido mesmo ruins e a culpa seja toda da instituição. Mas o fato é que, independente dos motivos, os alunos estão com o foco errado, esperando tudo do professor que está longe de ser perfeito ou mágico. Isso os deixa pessimistas e muito ansiosos.

Parece que todos ali -- eu incluído, por que não -- têm um problema que não é de engenharia ou mesmo de pedagogia. O problema é psicológico.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Exagerado

O meu prezado leitor pode estranhar o post abaixo: "o cara não deu nem um mês de aula, sequer recebeu salário e já está decepcionado com seu desempenho?"
Bem, há uma história contada pela minha mãe sobre a minha infância que talvez ajude você a entender o quanto sou exigente comigo mesmo.
Antes da primeira série eu já estava dando os meus primeiros passos na alfabetização. A professora preparava cadernos de caligrafia para a gente treinar e os meus tinham as folhas todas amareladas. Era por conta das minhas lágrimas por não ter ainda uma letra perfeita como a da professora. Isso com 6 anos de idade!
Acho que deu para sentir o drama, né?

Tem alguma coisa fácil nessa vida?

Minha mulher gosta de citar um frase fantástica:
Sempre que ouço alguém reclamar que a vida é difícil, sinto vontade de
perguntar: comparada a quê?

Faço esse preâmbulo porque vou começar a reclamar da minha vida difícil!

Sempre acalentei o sonho de ser professor. Lá atrás, nos tempos do colégio, quando começou a minha paixão pela matemática, também surgiu a vontade de ser professor. Na época de escolher a profissão tive dúvida entre seguir uma carreira na matemática ou na engenharia, mas o senso prático acabou falando mais alto, as opções como engenheiro são maiores e também estudei muita matemática. Eu me lembro especialmente de como ficava ligado para ouvir alguma dúvida dos colegas ao meu lado, para então explicar-lhes aqueles conceitos todos, mesmo que eles não quisessem!

Quando terminei a faculdade, tive dúvida de novo em seguir imediatamente uma carreira acadêmica ou tentar a sorte em alguma empresa. Novamante, falou mais alto o lado prático, já que viver de bolsa por mais sei lá quanto tempo não me pareceu muito tentador frente ao salário que me ofereciam nas empresas.

Mas sempre ficou aquele sonho, aquela imaginação do que teria sido o caminho que eu não escolhi. Eu que sou sonhador, meio romântico, ficava imaginando o quanto seria bom fazer aquilo que eu realmente gosto. É comum a gente cair na armadilha de pensar que trabalhar no que se gosta é pura diversão. "Imagina que delícia ser um jogador de futebol profissional, ganhar uma grana para jogar bola, coisa que fazemos de graça numa boa...". Algumas semanas de aula já foram o bastante para me mostrar que no sonho era muito mais fácil!

Confio no meu taco, sei que tenho uma boa didática, é uma das minhas únicas características pessoais que admiro. Mas só isso não está adiantando. Passei o último fim de semana trabalhando feito um camelo para preparar o material para os meus alunos, que já tinham reclamado com o coordenador do curso que não estavam entendendo nada, que o nível da aula estava acima da capacidade deles, que continuando naquele ritmo viria o apocalipse...E mesmo com toda essa preparação, a aula terminou como uma batalha perdida, para todo mundo. E o pior é ouvir a reclamação dos dois lados, pois um aluno veio me dizer que eu não tenho que desanimar, que os alunos que reclamaram deveriam estar melhor preparados e se não estão isso não é problema meu, são uns preguiçosos....Quer dizer, mesmo que eu prepare a minha aula para essa turma mais fraca (seria mais preguiçosa?) tenho que me preocupar com os bons alunos também.

Menos ilusão daqui para frente e mais trabalho duro. Estou só começando e ainda tenho muito o que aprender. Vou repetir esse troço como um mantra até acreditar nisso!

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Alguém tem alguma dúvida?

Na minha curta experência como professor, já percebi que a frase acima é quase um convite ao silêncio. Ela me lembra um ditado que é muito popular lá na minha casa: "Quem oferece não quer dar". Explico: sabe aquela anfitrião que fica falando sobre o Black Label que ele tem guardado e fica perguntando se as visitas querem? Na maioria das vezes, encabuladas, as visitas acabam declinando. Se quisesse mesmo tomar o uísque (ou bourbon para os puristas, diz minha cultura de orelha que Jack Daniel's não é uísque) teria já trazido aberto, de preferência dentro dos copos.

Não tem coisa pior para o professor que o silêncio da classe. Nesse silêncio cabe todo tipo de elocubrações e fantasias, os alunos podem estar entendendo perfeitamente, não entendendo nada, sequer prestando atenção ou um pouco de cada coisa.

Também notei que uma turma nova, ainda não familiarizada ou segura o suficiente com o professor, tende a interromper somente para corrigir ou perguntar sobre o que estão copiando da lousa. Na matéria que eu ensino, representei a perturbação em um sistema de controle de temperatura como uma perda de calor. Até aí, nada demais. Entretanto, representei essa perda com uma seta que entrava no sistema, subtraindo do calor fornecido pelo forno. Ao copiar o esquema, um aluno não entendeu direito aquilo e mandou a pergunta: "Ué, se o calor sai, a seta não deveria ser para fora?". Foi a minha primeira pergunta de aluno, uma pergunta interessante, pertinente, que depois de um bom tempo de aula quebrou aquele silêncio tão constrangedor.

Fiquei pensando se os professores não poderiam usar isso como método para quebrar o gelo com seus alunos. Na hora de explicar os seus esquemas colocados na lousa, deixar de explicar certos pontos de propósito, ou ainda deixar certos ovos de Páscoa espalhados pela matéria, só para gerar diálogo com os alunos. Talvez aquela frase dita pelos nossos professores, em tom de brincadeira, ao apontarmos erros na exposição não seja de todo mentira. "Queria só ver se vocês estavam prestando atenção".