O meu prezado leitor pode estranhar o post abaixo: "o cara não deu nem um mês de aula, sequer recebeu salário e já está decepcionado com seu desempenho?"
Bem, há uma história contada pela minha mãe sobre a minha infância que talvez ajude você a entender o quanto sou exigente comigo mesmo.
Antes da primeira série eu já estava dando os meus primeiros passos na alfabetização. A professora preparava cadernos de caligrafia para a gente treinar e os meus tinham as folhas todas amareladas. Era por conta das minhas lágrimas por não ter ainda uma letra perfeita como a da professora. Isso com 6 anos de idade!
Acho que deu para sentir o drama, né?
quarta-feira, 29 de agosto de 2007
Tem alguma coisa fácil nessa vida?
Minha mulher gosta de citar um frase fantástica:
Quando terminei a faculdade, tive dúvida de novo em seguir imediatamente uma carreira acadêmica ou tentar a sorte em alguma empresa. Novamante, falou mais alto o lado prático, já que viver de bolsa por mais sei lá quanto tempo não me pareceu muito tentador frente ao salário que me ofereciam nas empresas.
Mas sempre ficou aquele sonho, aquela imaginação do que teria sido o caminho que eu não escolhi. Eu que sou sonhador, meio romântico, ficava imaginando o quanto seria bom fazer aquilo que eu realmente gosto. É comum a gente cair na armadilha de pensar que trabalhar no que se gosta é pura diversão. "Imagina que delícia ser um jogador de futebol profissional, ganhar uma grana para jogar bola, coisa que fazemos de graça numa boa...". Algumas semanas de aula já foram o bastante para me mostrar que no sonho era muito mais fácil!
Confio no meu taco, sei que tenho uma boa didática, é uma das minhas únicas características pessoais que admiro. Mas só isso não está adiantando. Passei o último fim de semana trabalhando feito um camelo para preparar o material para os meus alunos, que já tinham reclamado com o coordenador do curso que não estavam entendendo nada, que o nível da aula estava acima da capacidade deles, que continuando naquele ritmo viria o apocalipse...E mesmo com toda essa preparação, a aula terminou como uma batalha perdida, para todo mundo. E o pior é ouvir a reclamação dos dois lados, pois um aluno veio me dizer que eu não tenho que desanimar, que os alunos que reclamaram deveriam estar melhor preparados e se não estão isso não é problema meu, são uns preguiçosos....Quer dizer, mesmo que eu prepare a minha aula para essa turma mais fraca (seria mais preguiçosa?) tenho que me preocupar com os bons alunos também.
Menos ilusão daqui para frente e mais trabalho duro. Estou só começando e ainda tenho muito o que aprender. Vou repetir esse troço como um mantra até acreditar nisso!
Sempre que ouço alguém reclamar que a vida é difícil, sinto vontade de
perguntar: comparada a quê?
Faço esse preâmbulo porque vou começar a reclamar da minha vida difícil!
Sempre acalentei o sonho de ser professor. Lá atrás, nos tempos do colégio, quando começou a minha paixão pela matemática, também surgiu a vontade de ser professor. Na época de escolher a profissão tive dúvida entre seguir uma carreira na matemática ou na engenharia, mas o senso prático acabou falando mais alto, as opções como engenheiro são maiores e também estudei muita matemática. Eu me lembro especialmente de como ficava ligado para ouvir alguma dúvida dos colegas ao meu lado, para então explicar-lhes aqueles conceitos todos, mesmo que eles não quisessem!Quando terminei a faculdade, tive dúvida de novo em seguir imediatamente uma carreira acadêmica ou tentar a sorte em alguma empresa. Novamante, falou mais alto o lado prático, já que viver de bolsa por mais sei lá quanto tempo não me pareceu muito tentador frente ao salário que me ofereciam nas empresas.
Mas sempre ficou aquele sonho, aquela imaginação do que teria sido o caminho que eu não escolhi. Eu que sou sonhador, meio romântico, ficava imaginando o quanto seria bom fazer aquilo que eu realmente gosto. É comum a gente cair na armadilha de pensar que trabalhar no que se gosta é pura diversão. "Imagina que delícia ser um jogador de futebol profissional, ganhar uma grana para jogar bola, coisa que fazemos de graça numa boa...". Algumas semanas de aula já foram o bastante para me mostrar que no sonho era muito mais fácil!
Confio no meu taco, sei que tenho uma boa didática, é uma das minhas únicas características pessoais que admiro. Mas só isso não está adiantando. Passei o último fim de semana trabalhando feito um camelo para preparar o material para os meus alunos, que já tinham reclamado com o coordenador do curso que não estavam entendendo nada, que o nível da aula estava acima da capacidade deles, que continuando naquele ritmo viria o apocalipse...E mesmo com toda essa preparação, a aula terminou como uma batalha perdida, para todo mundo. E o pior é ouvir a reclamação dos dois lados, pois um aluno veio me dizer que eu não tenho que desanimar, que os alunos que reclamaram deveriam estar melhor preparados e se não estão isso não é problema meu, são uns preguiçosos....Quer dizer, mesmo que eu prepare a minha aula para essa turma mais fraca (seria mais preguiçosa?) tenho que me preocupar com os bons alunos também.
Menos ilusão daqui para frente e mais trabalho duro. Estou só começando e ainda tenho muito o que aprender. Vou repetir esse troço como um mantra até acreditar nisso!
quarta-feira, 15 de agosto de 2007
Alguém tem alguma dúvida?
Na minha curta experência como professor, já percebi que a frase acima é quase um convite ao silêncio. Ela me lembra um ditado que é muito popular lá na minha casa: "Quem oferece não quer dar". Explico: sabe aquela anfitrião que fica falando sobre o Black Label que ele tem guardado e fica perguntando se as visitas querem? Na maioria das vezes, encabuladas, as visitas acabam declinando. Se quisesse mesmo tomar o uísque (ou bourbon para os puristas, diz minha cultura de orelha que Jack Daniel's não é uísque) teria já trazido aberto, de preferência dentro dos copos.
Não tem coisa pior para o professor que o silêncio da classe. Nesse silêncio cabe todo tipo de elocubrações e fantasias, os alunos podem estar entendendo perfeitamente, não entendendo nada, sequer prestando atenção ou um pouco de cada coisa.
Também notei que uma turma nova, ainda não familiarizada ou segura o suficiente com o professor, tende a interromper somente para corrigir ou perguntar sobre o que estão copiando da lousa. Na matéria que eu ensino, representei a perturbação em um sistema de controle de temperatura como uma perda de calor. Até aí, nada demais. Entretanto, representei essa perda com uma seta que entrava no sistema, subtraindo do calor fornecido pelo forno. Ao copiar o esquema, um aluno não entendeu direito aquilo e mandou a pergunta: "Ué, se o calor sai, a seta não deveria ser para fora?". Foi a minha primeira pergunta de aluno, uma pergunta interessante, pertinente, que depois de um bom tempo de aula quebrou aquele silêncio tão constrangedor.
Fiquei pensando se os professores não poderiam usar isso como método para quebrar o gelo com seus alunos. Na hora de explicar os seus esquemas colocados na lousa, deixar de explicar certos pontos de propósito, ou ainda deixar certos ovos de Páscoa espalhados pela matéria, só para gerar diálogo com os alunos. Talvez aquela frase dita pelos nossos professores, em tom de brincadeira, ao apontarmos erros na exposição não seja de todo mentira. "Queria só ver se vocês estavam prestando atenção".
Não tem coisa pior para o professor que o silêncio da classe. Nesse silêncio cabe todo tipo de elocubrações e fantasias, os alunos podem estar entendendo perfeitamente, não entendendo nada, sequer prestando atenção ou um pouco de cada coisa.
Também notei que uma turma nova, ainda não familiarizada ou segura o suficiente com o professor, tende a interromper somente para corrigir ou perguntar sobre o que estão copiando da lousa. Na matéria que eu ensino, representei a perturbação em um sistema de controle de temperatura como uma perda de calor. Até aí, nada demais. Entretanto, representei essa perda com uma seta que entrava no sistema, subtraindo do calor fornecido pelo forno. Ao copiar o esquema, um aluno não entendeu direito aquilo e mandou a pergunta: "Ué, se o calor sai, a seta não deveria ser para fora?". Foi a minha primeira pergunta de aluno, uma pergunta interessante, pertinente, que depois de um bom tempo de aula quebrou aquele silêncio tão constrangedor.
Fiquei pensando se os professores não poderiam usar isso como método para quebrar o gelo com seus alunos. Na hora de explicar os seus esquemas colocados na lousa, deixar de explicar certos pontos de propósito, ou ainda deixar certos ovos de Páscoa espalhados pela matéria, só para gerar diálogo com os alunos. Talvez aquela frase dita pelos nossos professores, em tom de brincadeira, ao apontarmos erros na exposição não seja de todo mentira. "Queria só ver se vocês estavam prestando atenção".
sexta-feira, 3 de agosto de 2007
Primeira aula
Hoje seria minha primeira aula como professor universitário. Estava disposto a escrever aqui as minha impressões, como em um diário de classe. Foi muito diferente do que eu estava imaginando.
Não houve aula propriamente dita. Ainda é a primeira semana, hoje é sexta-feira, ou seja, não foi ninguém. Passei a semana inteira muito apreensivo com relação a esta primeira aula, bastante preocupado em causar uma boa impressão. Será que passaria segurança suficiente?
Porque a vida é plena, não estou nada decepcionado com o que aconteceu. Na ausência dos alunos, fiquei trocando idéias com outro professor que vai dar aulas da mesma disciplina em outra turma. O cara me passou todas as dicas, o que ele está planejando fazer...Essa conversa foi fundamental! Perdi o ar sisudo de quem tem pela frente a tarefa mais importante do mundo e passei a encarar tudo com leveza e prazer. Quando os alunos aparecerem, vão ter um professor bem mais tranqüilo pela frente.
Antes das aulas assisti a algumas palestras, para os professores novos, claramente motivacionais. O papel delas é fazer a gente se sentir importante e cheio de responsabilidade. Até aí, nada demais. Mas junte a isso a ansiedade de quem não estréia só naquela faculdade, mas no magistério superior como um todo... E tem um superego gigante!
Tenho a impressão de que preciso me esquecer por alguns instantes de que sou um professor sério e rigoroso. Ou o peso nas costas não me deixa andar.
Não houve aula propriamente dita. Ainda é a primeira semana, hoje é sexta-feira, ou seja, não foi ninguém. Passei a semana inteira muito apreensivo com relação a esta primeira aula, bastante preocupado em causar uma boa impressão. Será que passaria segurança suficiente?
Porque a vida é plena, não estou nada decepcionado com o que aconteceu. Na ausência dos alunos, fiquei trocando idéias com outro professor que vai dar aulas da mesma disciplina em outra turma. O cara me passou todas as dicas, o que ele está planejando fazer...Essa conversa foi fundamental! Perdi o ar sisudo de quem tem pela frente a tarefa mais importante do mundo e passei a encarar tudo com leveza e prazer. Quando os alunos aparecerem, vão ter um professor bem mais tranqüilo pela frente.
Antes das aulas assisti a algumas palestras, para os professores novos, claramente motivacionais. O papel delas é fazer a gente se sentir importante e cheio de responsabilidade. Até aí, nada demais. Mas junte a isso a ansiedade de quem não estréia só naquela faculdade, mas no magistério superior como um todo... E tem um superego gigante!
Tenho a impressão de que preciso me esquecer por alguns instantes de que sou um professor sério e rigoroso. Ou o peso nas costas não me deixa andar.
quarta-feira, 1 de agosto de 2007
Motivações
O que me leva a escrever um blog?
O primeiro motivo, disparado, é a inveja. Inveja dos blogs do HQNV. Esse meu amigo escreve tão bem que se dá ao luxo de variar os estilos. Antes eram crônicas mais longas, agora são pequenos textos. De qualquer maneira, faz parecer que é fácil escrever. Acreditei nisso, embora a realidade seja um pouco diferente, pelo menos para mim.
Vem daí a minha segunda motivação. Se não é tão fácil assim, talvez praticando um pouco...Descobri que sou um leitor compulsivo, principalmente de texto jornalístico, mas também dou minhas cabeçadas nos romances, na auto-ajuda ou nos ensaios. Porém escrevo pouco. E aquela conversa de que lendo bastante se aprende a escrever é só argumento de professor para nos convencer a ler. Pode até ajudar, aumenta o vocabulário, mas escrever se aprende escrevendo, ora essa!
Também escrevo pelos comentários. Aqui vai, de novo, mais inveja. Um dos blogs do HQNV era caudaloso em comentários, que viravam um animado bate-papo entre os próprios comentaristas. Mas eu tenho só três leitores! Fiz propaganda do blog pelo orkut, tive até algumas visitas por conta disso, mas não segurei esses leitores. Talvez eles até tenham voltado à página, mas não encontraram textos novos por muito tempo. Ou estão por aí, calados (acho difícil). O que fazer? Como fazer novos leitores? Como fazer esses leitores comentarem? Como terminar meus textos?
O primeiro motivo, disparado, é a inveja. Inveja dos blogs do HQNV. Esse meu amigo escreve tão bem que se dá ao luxo de variar os estilos. Antes eram crônicas mais longas, agora são pequenos textos. De qualquer maneira, faz parecer que é fácil escrever. Acreditei nisso, embora a realidade seja um pouco diferente, pelo menos para mim.
Vem daí a minha segunda motivação. Se não é tão fácil assim, talvez praticando um pouco...Descobri que sou um leitor compulsivo, principalmente de texto jornalístico, mas também dou minhas cabeçadas nos romances, na auto-ajuda ou nos ensaios. Porém escrevo pouco. E aquela conversa de que lendo bastante se aprende a escrever é só argumento de professor para nos convencer a ler. Pode até ajudar, aumenta o vocabulário, mas escrever se aprende escrevendo, ora essa!
Também escrevo pelos comentários. Aqui vai, de novo, mais inveja. Um dos blogs do HQNV era caudaloso em comentários, que viravam um animado bate-papo entre os próprios comentaristas. Mas eu tenho só três leitores! Fiz propaganda do blog pelo orkut, tive até algumas visitas por conta disso, mas não segurei esses leitores. Talvez eles até tenham voltado à página, mas não encontraram textos novos por muito tempo. Ou estão por aí, calados (acho difícil). O que fazer? Como fazer novos leitores? Como fazer esses leitores comentarem? Como terminar meus textos?
sexta-feira, 20 de julho de 2007
Traduttore, traditore
No post abaixo falei de traduções mal feitas. Em literatura tem outra, um livro até bem vendido chamado "O Físico". Tradução de "The Physician", que deveria ser "O Médico". Ninguém percebeu que isso tá errado, meu Deus do Céu?!!
Mas o que me irrita mesmo são os filmes. Os produtores acham que quem vai aos cinemas não lê a resenha do filme, portanto tem que saber um pouco da história já no título. Se o filme chama "Jerry Maguire", no Brasil tem que chamar "Jerry Maguire, a grande virada!". Quer dizer, tem que me entregar de bandeja que vai haver uma reviravolta feliz no filme. Outro exemplo é o filme "Um Salto para a Felicidade", veja na Sessão da Tarde. O título original é "Overboard". eta é a descrição do filme que encontrei no Google:
A milionária em questão (Goldie Hawn) cai de um barco, por isso o "board" do título. Bem, o fato é que se trata a princípio de uma vingança. Eu não preciso saber que vai ter final feliz. Aliás, quem precisa saber que algum filme americano vai ter final feliz?
O filme do Hitchcock foi chamado aqui no Brasil de "Festim Diabólico". Em inglês é só "Rope", corda, que é como o crime do filme foi cometido. O título em português já prefere falar sobre a festa que os assassinos promovem, muito mais informação do que o autor quis passar com seu título.
Não faltam exemplos. Mandem novos para eu colocar na lista...
Mas o que me irrita mesmo são os filmes. Os produtores acham que quem vai aos cinemas não lê a resenha do filme, portanto tem que saber um pouco da história já no título. Se o filme chama "Jerry Maguire", no Brasil tem que chamar "Jerry Maguire, a grande virada!". Quer dizer, tem que me entregar de bandeja que vai haver uma reviravolta feliz no filme. Outro exemplo é o filme "Um Salto para a Felicidade", veja na Sessão da Tarde. O título original é "Overboard". eta é a descrição do filme que encontrei no Google:
Milionária esnobe sofre acidente e perde a memória, mas, num golpe do destino, é
socorrida por um marceneiro em quem, pouco antes, havia aplicado um calote. Ele
então decide vingar-se, levando-a para tomar conta de sua casa e dos quatro
filhos.
A milionária em questão (Goldie Hawn) cai de um barco, por isso o "board" do título. Bem, o fato é que se trata a princípio de uma vingança. Eu não preciso saber que vai ter final feliz. Aliás, quem precisa saber que algum filme americano vai ter final feliz?
O filme do Hitchcock foi chamado aqui no Brasil de "Festim Diabólico". Em inglês é só "Rope", corda, que é como o crime do filme foi cometido. O título em português já prefere falar sobre a festa que os assassinos promovem, muito mais informação do que o autor quis passar com seu título.
Não faltam exemplos. Mandem novos para eu colocar na lista...
quinta-feira, 12 de julho de 2007
Fazendo a pergunta certa
Meus três leitores sabem que eu costumo ler as orelhas dos livros para parecer mais culto do que sou, para impressionar e para me divertir com o efeito que isso tem sobre as pessoas. Ainda assim, o leitor de orelhas não pode ter preconceitos com as orelhas que lê.
Outro dia estava com o um livro na mão, tinha por volta de 100 páginas, capítulos curtos e capa com um subtítulo começando com gerúndio. Está claro que era um espécime muito bem definido de auto-ajuda. Para piorar tudo, um editor que escolhe o seguinte título: "Você é mais capaz do que pensa".
Dito dessa forma, não parece que o livro pudesse acrescentar qualquer coisa de útil. Ou inútil, mas minimamente interessante.
Um dos piores problemas é o título, parece que os editores de livros resolveram aprender com o distribuidores de filmes aqui no Brasil. Em inglês é "QBQ - Question Behind the Question". A idéia central do livro não é provar que somos mais capazes do que pensamos, mas propor um método, muito simples, para aumentar a nossa responsabilidade pessoal.
Ter responsabilidade pessoal é parar de se fazer de vítima, de reclamar e de ficar adiando tudo. São coisas que irritam muito, mas que exercem uma atração muito grande. Como diria o Millôr Fernandes, "errar é humano, culpar o outro pelo erro é mais humano ainda".
A proposta é mudar a forma com perguntamos as coisas. Quantas vezes não ouvimos, ou nos fazemos, as seguintes perguntas:
- Por que isso está acontecendo comigo?
- Quando é que alguém vai me treinar?
- Quem foi o corno que deixou isso aqui?
São perguntas que não resolvem (Por que?), servem para apontar culpados (Quem?) e nos mantém inertes (Quando?). A proposta é trocar essas perguntas por outras mais eficientes. As regras para isso são:
- A pergunta deve começar com "Como" ou "Que". Não deve começar com "Por que" ou "Quem" ou "Quando"
- Ser em primeira pessoa (do SINGULAR!)
- Usar um verbo de ação, no presente.
Esse livro me marcou profundamente. Sou procrastinador (isso vocês já sabem), reclamão e também gosto de me fazer de vítima. Agora tenho um jeito bem fácil de saber que estou caindo nas velhas tentações. Termino com a versão da prece da serenidade proposta pelo livro:
"Ó Senhor, que eu tenha serenidade para aceitar as pessoas que não posso mudar
coragem para mudar aquela que eu posso mudar
e sabedoria para saber que...essa pessoa sou eu!"
Outro dia estava com o um livro na mão, tinha por volta de 100 páginas, capítulos curtos e capa com um subtítulo começando com gerúndio. Está claro que era um espécime muito bem definido de auto-ajuda. Para piorar tudo, um editor que escolhe o seguinte título: "Você é mais capaz do que pensa".
Dito dessa forma, não parece que o livro pudesse acrescentar qualquer coisa de útil. Ou inútil, mas minimamente interessante.
Um dos piores problemas é o título, parece que os editores de livros resolveram aprender com o distribuidores de filmes aqui no Brasil. Em inglês é "QBQ - Question Behind the Question". A idéia central do livro não é provar que somos mais capazes do que pensamos, mas propor um método, muito simples, para aumentar a nossa responsabilidade pessoal.
Ter responsabilidade pessoal é parar de se fazer de vítima, de reclamar e de ficar adiando tudo. São coisas que irritam muito, mas que exercem uma atração muito grande. Como diria o Millôr Fernandes, "errar é humano, culpar o outro pelo erro é mais humano ainda".
A proposta é mudar a forma com perguntamos as coisas. Quantas vezes não ouvimos, ou nos fazemos, as seguintes perguntas:
- Por que isso está acontecendo comigo?
- Quando é que alguém vai me treinar?
- Quem foi o corno que deixou isso aqui?
São perguntas que não resolvem (Por que?), servem para apontar culpados (Quem?) e nos mantém inertes (Quando?). A proposta é trocar essas perguntas por outras mais eficientes. As regras para isso são:
- A pergunta deve começar com "Como" ou "Que". Não deve começar com "Por que" ou "Quem" ou "Quando"
- Ser em primeira pessoa (do SINGULAR!)
- Usar um verbo de ação, no presente.
Esse livro me marcou profundamente. Sou procrastinador (isso vocês já sabem), reclamão e também gosto de me fazer de vítima. Agora tenho um jeito bem fácil de saber que estou caindo nas velhas tentações. Termino com a versão da prece da serenidade proposta pelo livro:
"Ó Senhor, que eu tenha serenidade para aceitar as pessoas que não posso mudar
coragem para mudar aquela que eu posso mudar
e sabedoria para saber que...essa pessoa sou eu!"
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