quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Primeiro dia de aula

Hoje foi o primeiro dia de aula do Inácio em 2008. Se perguntamos como foi a aula ele tosse, mas de mentirinha. Depois aperta os olhinhos, como se chorasse. Tossiu e chorou... Pelo jeito a aula não foi muito produtiva!

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Nome

Espero que meus seis leitores me perdoem a longa ausência. Passei por intensas mudanças nesse período e isso me afastou um pouco aqui do blog. Quando faltarem textos aqui, ou estou deprimido ou muito ocupado (ou os dois, o que é comum e terrível).

Não comecei esse post para falar de mim, mas do meu pequeno de um ano e meio. Ele está começando a falar e está divertidíssimo. O repertório de palavras é curto, ele entende muito mais do que consegue falar: "mamã", "papai" (fala com perfeição!), "cocó" (DVD's ou alguma história do Cocoricó, - se não sabe o que é isso, quando for pai ou mãe, vai saber), "cocô", "xi","vovó", "não", "bô" (acabou), "pá" (estourou, caiu no chão fazendo barulho)...

Semana passada ele aprendeu uma palavra e não pára de falar: "Inácio". Também é uma das poucas que ele fala direitinho, deve ser por ouvir mais vezes ("não" é outro exemplo). Acho que ele gostou do nome que escolhemos, pois está repetindo com muito prazer. Em toda brincadeira ele encontra alguma desculpa para dizer que o brinquedo é dele, ou está na vez dele brincar, e tome "Inácio" para todo lado. Fico todo babão, melhor terminar por aqui ou vai queimar o teclado!

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Avesso do avesso

Vocês se lembram do meu comentário a respeito das minhas turmas na faculdade. A turma de terça-feira era agressiva, difícil, reclamava o tempo todo com o coordenador e mesmo comigo. Já na sexta existia interesse e camaradagem, já haviam me elogiado para o coordenador, marquei uma aula de reposição num sábado e muita gente foi.

Apliquei prova nas duas turmas. A de sexta foi muito, mas muito mal. Um monte de gente entregou as provas em branco, gente que eu esperava que fosse bem teve um desempenho lamentável e deu para sentir que eles estão loucos para colocar a culpa em mim, afinal, errar é humano e culpar o outro pelo erro é mais humano ainda! Confesso que nesse caso, nem sei se tiro a razão deles. A prova foi feita para ser de nível médio, mas eu devo ter errado em alguma suposição inicial. Estou só começando nessa carreira, meu feeling não é suficientemente preciso. Ainda não corrigi as provas, comento baseado no que vi ao passar os olhos pelas folhas enquanto eles entregavam, mas a coisa foi dramática. Será que meu relacionamento com eles vai mudar? Será que vou ter que fazer alguma coisa, como aplicar nova prova, desconsiderar questões, passar um trabalho? Aguardem cenas dos próximos capítulos.

Já a turma de terça estudou muito para a minha prova. Sei disso pois eles fizeram de tudo para que ela fosse a última da semana de provas e por que alguns alunos ligaram no meu celular para tirar dúvidas um dia antes. Adorei isso. Gostei mais ainda quando os vi atacando as três questões da prova, nada ali era completamente desconhecido para eles, como aconteceu com os alunos de sexta. Eles fizeram muitas perguntas ao longo da prova e eu acabei ajudando bastante, pois via que as perguntas eram na direção certa, mostravam algum conhecimento prévio. Ora, estou lá para que eles aprendam, acho muito careta desperdiçar qualquer chance de ensinar, mesmo que seja durante uma prova. Qual é a prioridade afinal? Garantir lisura no processo da prova ou aprendizagem efetiva? Os dois são objetivos de um professor, mas o último tem maior peso. Já na turma de sexta, nem deu para ajudar, eles não sabiam o que perguntar, não tinham nenhuma idéia do que estava ali na frente deles.

Estou muito feliz com a minha turma de terça. Quero dizer isso para eles já na próxima aula, independente das notas. Eles podem até ter ido mal, derrapado aqui e ali nas questões da prova, mas mostraram maturidade ao estudar muito. Para ter uma idéia do que é a tal maturidade de que estou falando, até ameaça de boicote a minha prova sofreu, segundo o coordenador. Acho que pela ajuda que eles tiveram na prova, pelo sentimento de que eram capazes de resolver as questões e pelo discurso que prentendo fazer na próxima aula, vou acabar o semestre como um professor talvez querido, pelo menos respeitado.

E o pessoal de sexta? Para começar, nem sei que discurso adotar. Não sei se chego na sala pagando geral, dizendo a eles que não adianta só ter boas aulas (como as minhas, hehe) e não estudar nada. Que a continuar assim estão todos fritos e que eu estou muito decepcionado, afinal eles eram a minha melhor turma! Outra alternativa é bancar o good cop e dizer que eu sinto muito pelo resultado, que eu não esperava que a minha prova fosse tão difícil nem que eles estivessem tão despreparados, mas que juntos nós vamos dar a volta por cima, afinal eles são uma turma muito querida e tal. Tudo isso vou discutir com o meu coordenador depois de ter corrigido todas as provas, o que espero fazer esta noite.

Incrível como uma prova pode mudar completamente o cenário da relação professor-aluno. Deve ser a relação mais delicada entre todas as relações humanas. Pelo menos das que vivi até hoje: namorado-namorada, filho-mãe, filho-pai, marido-mulher, amigo-amigo(a), empregado-chefe, mestrando-orientador...

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Soja

Quando ainda repetia slogans de esquerda em qualquer discussão, gostava de falar do absurdo que era o latifúndio, produzindo soja para alimentar o gado americano no inverno. Dizia que o negócio é a agricultura familiar, que produz os alimentos de verdade, já que eu não como soja!

Se não fosse a soja e a indústria de alimentos (multinacional), meu filho não teria leite, iogurte, vitaminas. Tudo com leite de soja e à venda nas melhores lojas do ramo.

E gado não alimenta gente? Americano não é gente? Será que a carne que eu como veio de um lote de reforma agrária ou de uma grande fazenda? Aposto todas as fichas na última.

Mamíferos

Parece que somos a única espécie de mamífero que segue bebendo leite, dos outros, para o resto da vida. Já ouvi o relato, de segunda mão, de pediatras que dizem às mães que "leite de vaca é para bezerro". Pouca coisa pode ser tão estúpida!

Meu filho desenvolveu intolerância à lactose. Estamos contornando com o leite de soja, mas não é o bastante. Tente tirar completamente o leite da sua dieta e você vai ter alguma idéia do que estamos passando! Quase toda receita um pouco mais elaborada tem leite. Neston batido com suco de frutas tem leite (olha o rótulo, tá escrito lá: contém traços de leite). Uma papinha de estrogonofe de frango tem leite. Bolacha, chocolate, bolo: leite, leite, leite.

Se um dia o pediatra do seu filho vier com essa conversa mole, saiba que é só para você achar que está tudo bem com seu filho, errados são os outros que insistem com esse hábito anti-natural. Ele tenta fazer você aceitar o trabalhão que vai ter e ainda se sentir orgulhoso pelas escolhas certas. Pode ser com a melhor das intenções, mas é bem desonesto. Será que o dr. não toma leite nenhum? Ou ainda é um bezerro?

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Tio Rei

Aliás, o blog do Reinaldo Azevedo desta semana está fantástico. Aqui ele faz uma piada rápida e mortal. Já neste outro me fez sentir inveja de um tempo em que se estudava Os Lusíadas com atenção e rigor. Parece que meus ideais estão cada vez mais conflitantes com meu tempo. Você também tem a sensação de estar na década errada?

Serendipity

Faz tempo que estou tentando me lembrar de uma canção para ninar meu filho. No quarto dele tem uma imagem bonita de São Francisco rodeado de pássaros e com sua túnica marrom. A música é do disco "Arca de Noé" e também embalou os meus sonos. Mas só me lembrava da primeira estrofe.

Estou há semanas pensando em entrar no Google para procurar a letra, mas na correria dos dias acabo me esquecendo. Hoje topei com ela em um post do Reinaldo Azevedo.

Quase chorei! É o que os americanos (será que também os ingleses?) chamam de serendipity. É difícil traduzir...Tenho que investir o mais rápido possível em bons dicionários: inglês, português e inglês-português. Vai uma boa grana aí! Em tradução bem livre, totalmente no espírito deste leitor de orelhas, o termo indica uma coincidência, não uma mera coincidência, mas aquelas em que o fato ocorrido ao acaso e o momento em que ocorre são uma combinação perfeita, para o bem. Ao menos é assim que eu sempre entendi, parece que lá na Wikipedia não é bem assim. Fico com a minha versão, bem mais poética. Agora me ocorre o quanto é estranho adjetivar qualquer coincidência como "mera"... Como o evento é extraordinário, parece um paradoxo, né?

Segue a poesia, lindíssima, do Vinícius de Moraes. Se bem me lembro, era cantada pelo Ney Matogrosso acompanhado de um grupo de crianças.

São Francisco

Lá vai São Francisco
Pelo caminho
De pé descalço
Tão pobrezinho
Dormindo à noite
Junto ao moinho
Bebendo a água
Do ribeirinho.

Lá vai São Francisco
De pé no chão
Levando nada
No seu surrão
Dizendo ao vento
Bom-dia, amigo
Dizendo ao fogo
Saúde, irmão.

Lá vai São Francisco
Pelo caminho
Levando ao colo
Jesuscristinho
Fazendo festa
No menininho
Contando histórias
Pros passarinhos.